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Editorial - A Mineração e o Meio Ambiente: a quem interessa o nosso subdesenvolvimento?



Publicado em: 21/07/2006 14:58:00

Editorial - A Mineração e o Meio Ambiente: a quem interessa o nosso subdesenvolvimento?

Pedro Jacobi

 

Afinal a mineração devasta e  agride o meio-ambiente? Esta pergunta, se feita a 3 décadas, teria uma resposta positiva. Os mineradores de antigamente simplesmente colocavam os lucros em prioridade  1 e o meio ambiente em 5. Desta forma criou-se a percepção de que a mineração é, sempre, perniciosa ao meio ambiente. Infelizmente no Brasil muito do que se conhece sobre a poluição feita por "mineradores" é advindo do garimpo aluvial de ouro e diamantes onde, por muito tempo não existiram controles ambientais ou tentativas de recuperação do meio ambiente. Os pequenos mineradores de granitos, areias, saibros e demais minerais industriais tiveram a sua contribuição nefasta a este cenário.

A situação começou a mudar quando grandes empresas como a CVRD e Rio Tinto passaram a operar minas em ambientes de floresta ou outros eco sistemas sensíveis.

A Rio Tinto opera a maior mina de titânio do mundo na costa do Oceano Índico na África do Sul em Richards Bay. Para lavrar a ilmenita contida nas dunas recobertas por antigas florestas repletas de animais silvestres a empresa usa de uma técnica de manejo ambiental extraordinária. Eles retiram a camada de solo superior, criam enormes estufas para o desenvolvimento das plantas e animais nativos, lavram a duna mineralizada e, depois a recompõe com a mesma altura e formato original. A partir deste momento, por décadas eles irão plantar e repopular a área de formas deixá-la exatamente como estava antes da lavra. Um trabalho extraordinário que impressiona aos visitantes e ambientalistas que chegam a Richards Bay. O trabalho impressionou tanto os Governantes de Madascar que o país convidou a Rio Tinto a lavrar os seus enormes depósitos de areias pesadas. Trata-se de um case history que demonstra com todas as letras que a mineração pode ocorrer sem deixar passivos ambientais, sendo um claro veículo de riqueza ao invés da pobreza e devastação que muitos a imputam.

No Brasil a CVRD faz, praticamente, o mesmo trabalho que a Rio Tinto fez nas suas minas com foco especial em Carajás. A Vale desenvolveu o know-how e técnicas para reabilitar a flora e a fauna da floresta Amazônica. Os resultados são marcantes e hoje Carajás é um oásis de floresta e biodiversidade cercada por devastações causadas por fazendeiros por todos os lados (veja mais).

Hoje qualquer minerador, pequeno ou grande, coloca no seu fluxo de caixa a provisão para a recuperação ambiental que estará calcada em sérios relatórios de impacto ambiental feitos por experts e aprovados pelos setores governamentais competentes. Estes relatórios já demonstram nos estudos de viabilidade quais serão as medidas e, consequentemente, os investimentos necessários a recuperação do meio ambiente se este for agredido na época da lavra. No final do projeto a área é devolvida a natureza sem cicatrizes ou passivos ambientais.

Se este é o processo inteligente e responsável que a mineração brasileira vem tratando o meio ambiente porque os Governantes continuam, de forma absurda, criando empecilhos a mineração em áreas riquíssimas na Amazônia? A cada dia são criadas novas reservas naturais, estrategicamente colocadas sobre as regiões mais ricas da Amazônia como o Tapajós, a maior Província Aurífera do Brasil, que excluem por completo a mineração. Mesmo considerando que o minerador irá recuperar, ao contrário dos fazendeiros, a terra trabalhada.

Não é preciso ser muito inteligente para saber que a mineração evolui em áreas  muito pequenas, medidas em poucos hectares, e não as dezenas de milhares de hectares que são devastadas em uma única fazenda. Também não é necessário ser um Einstein para entender que o impacto econômico causado por uma mina em um país é milhões de vezes maior do que o de uma única fazenda de mesma área útil.

Então, se isso é fácil de ser visualizado porque os mineradores estão sendo impedidos de trabalhar nestas áreas de grande potencial econômico?
Talvez sejamos, ao contrário do que se propala, um país riquíssimo, uma nova China, que simplesmente não precisa destes bilhões de dólares e destes milhões de empregos que serão gerados direta e indiretamente por essas minas que não nos deixam operar... Você acredita nessa hipótese?

A quem interessa o nosso subdesenvolvimento e a nossa falta de competitividade?

Não posso deixar de me preocupar, quando olho o mapa e vejo, que as reservas, assim como, em um sinistro jogo de batalha naval, estão cobrindo as melhores e mais importantes áreas geológicas da Amazônia. Pelo visto em breve teremos que abandonar o Brasil e ir desenvolver as economias de países pobres mas com governantes nacionalistas e inteligentes.

Não pode ser somente a incompetência dos nossos governantes. Pode ser a competência dos inimigos do desenvolvimento brasileiro.

 

Pense nisto!


Autor:   Pedro Jacobi - O Portal do Geólogo


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