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![]() Editorial - A Mineração e o Meio Ambiente: a quem interessa o nosso subdesenvolvimento?Publicado em: 21/07/2006 14:58:00
A situação começou a mudar quando grandes
empresas como a CVRD e Rio Tinto passaram a operar minas em ambientes de
floresta ou outros eco sistemas sensíveis. A Rio Tinto opera a maior mina de titânio do
mundo na costa do Oceano Índico na África do Sul em Richards Bay. Para
lavrar a ilmenita contida nas dunas recobertas por antigas florestas
repletas de animais silvestres a empresa usa de uma técnica de manejo
ambiental extraordinária. Eles retiram a camada de solo superior, criam
enormes estufas para o desenvolvimento das plantas e animais nativos, lavram
a duna mineralizada e, depois a recompõe com a mesma altura e formato
original. A partir deste momento, por décadas eles irão plantar e repopular
a área de formas deixá-la exatamente como estava antes da lavra. Um trabalho
extraordinário que impressiona aos visitantes e ambientalistas que chegam a
Richards Bay. O trabalho impressionou tanto os Governantes de Madascar que o
país convidou a Rio Tinto a lavrar os seus enormes depósitos de areias
pesadas. Trata-se de um case history que demonstra com todas as letras que a
mineração pode ocorrer sem deixar passivos ambientais, sendo um claro
veículo de riqueza ao invés da pobreza e devastação que muitos a imputam. No Brasil a CVRD faz, praticamente, o mesmo
trabalho que a Rio Tinto fez nas suas minas com foco especial em Carajás. A
Vale desenvolveu o know-how e técnicas para reabilitar a flora e a fauna da
floresta Amazônica. Os resultados são marcantes e hoje Carajás é um oásis de
floresta e biodiversidade cercada por devastações causadas por fazendeiros
por todos os lados (veja
mais). Hoje qualquer minerador, pequeno ou grande,
coloca no seu fluxo de caixa a provisão para a recuperação ambiental que
estará calcada em sérios relatórios de impacto ambiental feitos por experts
e aprovados pelos setores governamentais competentes. Estes relatórios já
demonstram nos estudos de viabilidade quais serão as medidas e,
consequentemente, os investimentos necessários a recuperação do meio
ambiente se este for agredido na época da lavra. No final do projeto a área
é devolvida a natureza sem cicatrizes ou passivos ambientais. Se este é o processo inteligente e
responsável que a mineração brasileira vem tratando o meio ambiente porque
os Governantes continuam, de forma absurda, criando empecilhos a mineração
em áreas riquíssimas na Amazônia? A cada dia são criadas novas reservas
naturais, estrategicamente colocadas sobre as regiões mais ricas da Amazônia
como o Tapajós, a maior Província Aurífera do Brasil, que excluem por
completo a mineração. Mesmo considerando que o minerador irá recuperar, ao
contrário dos fazendeiros, a terra trabalhada. Não é preciso ser muito inteligente para
saber que a mineração evolui em áreas muito pequenas, medidas em
poucos hectares, e não as dezenas de milhares de hectares que são devastadas
em uma única fazenda. Também não é necessário ser um Einstein para entender
que o impacto econômico causado por uma mina em um país é milhões de vezes
maior do que o de uma única fazenda de mesma área útil. Então, se isso é fácil de ser visualizado
porque os mineradores estão sendo impedidos de trabalhar nestas áreas de
grande potencial econômico? A quem interessa o nosso subdesenvolvimento e
a nossa falta de competitividade? Não posso deixar de me preocupar, quando olho
o mapa e vejo, que as reservas, assim como, em um sinistro jogo de batalha
naval, estão cobrindo as melhores e mais importantes áreas geológicas da
Amazônia. Pelo visto em breve teremos que abandonar o Brasil e ir
desenvolver as economias de países pobres mas com governantes nacionalistas
e inteligentes. Não pode ser somente a incompetência dos
nossos governantes. Pode ser a competência dos inimigos do desenvolvimento
brasileiro. Pense nisto!
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