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Editorial: A crise energética veio
para ficar?
Publicado em: 13/05/2006 18:27:00
Pedro
Jacobi
O Brasil está enfrentando agora apenas um dos desdobramentos, previsíveis, de
uma política energética mal elaborada. Por mais que Lula tenha sido pusilânime
no tratamento da crise Boliviana atual ele não pode ser considerado responsável
por todos os equívocos estratégicos que o Brasil fez nos últimos anos na área
energética. Se olharmos com cuidado os erros estão sendo cometidos a décadas e
Lula só governa a quatro anos.
Não é o momento de procurar o "pai da criança", que, aliás, são muitos.
Parece-nos mais oportuno mostrar a enorme dependência que a nossa política
energética nos está impondo. Falhas estratégicas gritantes como a do gás
boliviano mostram claramente que um país como o nosso, com enormes recursos
internos já mapeados e conhecidos, depende quase que exclusivamente de apenas um
único fornecedor para o suprimento de gás natural: a Bolívia. Colocamos as
nossas indústrias a mercê de um país sabidamente instável que já havia tentado a
nacionalização de seus hidrocarbonetos em várias vezes no passado. Mesmo agora,
quando Evo Morales, durante a campanha, anunciou ao mundo que iria estatizar o
gás, o Brasil simplesmente não ouviu. Se ouviu não entendeu.
Talvez os nossos governantes acreditassem que Evo sofre de um mal comum a
eles, brasileiros: o de não cumprir promessas de campanha... Erraram!
Agora cabe ao Brasil descascar este "abacaxi bolivariano" que, na melhor das
hipóteses, vai afundar as finanças de um grande número de brasileiros que
apostaram nas promessas feitas pelos seus representantes.
O que fazer? Temos como substituir o gás boliviano na nossa matriz
energética?
Com certeza temos!
Veja abaixo o enorme potencial brasileiro que pode, no futuro,
substituir a nossa dependência energética, mas que ainda está em estado bastante
incipiente:
- Gás natural brasileiro: com a descoberta de significativas
reservas de gás natural em
Santos o Brasil passa a sonhar com a auto-suficiência. A Petrobras já
tem uma reserva de gás natural importante, que inclui o gás da bacia de
Santos juntamente com o gás dos campos da
Amazônia e do Nordeste. Infelizmente gás embaixo da terra não é sinônimo
de riqueza imediata. É necessário transportá-lo até o consumidor e isso
requer gasodutos que ainda não foram construídos. Obras como as do
gasoduto Urucu-Manaus (440km) e Urucu-Porto Velho (440km) que custarão
US$900M. As reservas de gás natural da Amazônia somam 84Bm3. Por
outro lado a Petrobras planeja grandes investimentos no sudeste e até no
nordeste onde deverá investir em gasodutos com a chinesa Sinopec nos trechos
de Cabiúnas (RJ) a Vitória (ES)(20milhões de m3/dia) e de Vitória -
Cacimbas. No todo serão necessários investimentos bilionários para
viabilizar a distribuição do gás natural brasileiro, mas se forem feitos, em
menos de 7 anos, estaremos substituindo com vantagem ao gás boliviano.
- Carvão: a inabilidade brasileira em utilizar as grandes reservas
de carvão de Sta. Catarina e do Rio Grande do Sul na geração de energia só
pode ser atribuída a miopia contagiante que infesta Brasília. O carvão do
sul é ideal para a geração de energia através de termelétricas. Temos
enormes reservas de carvão sub-aflorante com baixíssimo custo de extração a
espera das termelétricas que nunca chegam. Talvez os nossos governantes não
saibam que é possível a construção de usinas termelétricas que não poluem o
meio-ambiente. O carvão Sul Africano, com as mesmas características do nosso
é fonte de eletricidade e de gasolina. Em vários lugares do mundo o carvão é
também fonte de
gás natural. O carvão produz, no mundo, mais de
40%
da energia elétrica e mais de 70% do aço. Porque ainda estamos tão longe
destes números? Será somente um caso de cegueira coletiva? Você sabia que o
Brasil possui cinco vezes mais energia nas suas reservas de carvão mineral
do que nas reservas de petróleo? (veja
mais) Estes fatos parecem não afetar as políticas nacionais para o
carvão que continua com o seu desempenho medíocre graças a investimentos
medíocres como os efetuados nas últimas décadas. Contudo ainda esperamos que
esta tendência irá mudar e que o nosso carvão venha a ser um componente
importante na economia nacional.
- Hidrelétricas: a palavra acabou, graças aos ambientalistas
virando um palavrão, assustando a muitos políticos. Temos mais de 50
hidrelétricas em funcionamento no país. A capacidade brasileira de instalar
novas hidrelétricas em um território privilegiado, é simplesmente imbatível.
Paradoxalmente 24% da eletricidade brasileira vem de apenas um
empreendimento, a Itaipu Binacional (Paraguai-Brasil) que produz
estonteantes 14.000 MW de eletricidade. Este fato, motivo de orgulho a
todos, agora passa a ser o pesadelo dos governantes. Afinal, se a moda pega,
o Paraguai poderá também nacionalizar a Itaipu aí sim, colocará de joelhos a
economia nacional. Somos, mais uma vez, dependentes de um único fornecedor,
neste caso o Paraguai. Esta hipótese, por mais absurda que possa parecer,
deve pesar na estratégia brasileira e nos planos futuros do país quanto a
energia.
- O GNL: uma das alternativas de curto prazo para o gás
boliviano é a importação do GNL: gás natural liquefeito. A falta de plantas
que processem este tipo de produto é uma grande barreira às importações. O
GNLé condensado em um volume muitíssimo menor do que no estado gasoso o que
requer uma tecnologia própria. A Petrobras deverá estar colocando em
produção a uma nova unidade de regaseificação na Ilha D'água no Rio de
Janeiro, que irá processar 14 milhões de metros cúbicos adicionais à
produção atual. Este empreendimento ficará pronto em 2007 e permitirá a
importação de GNL de outros países reduzindo a dependência da Bolívia. Com o
GNL importado o Rio passará a fornecer gás para S. Paulo via o gasoduto
Japeri-Campinas.
- Energia nuclear: assim como em muitos projetos, nesta área nós
investimos mas não estamos recolhendo os frutos destes investimentos.
Somente a usina nuclear de Angra 3 já recebeu quase 1 bilhão de dólares e
está longe de ser finalizada. Se investirmos mais 2 bilhões de dólares Angra
3 irá produzir o equivalente a 1/3 do gás boliviano que estamos importando.
Serão 1,3 mil megawatts de geração a serem colocados no grid. No entanto os
governos brasileiros simplesmente optaram por abandonar este projeto às
traças desde 1992. Projetos na área da energia nuclear são fundamentais para
qualquer país que pense grande em termos de energia. Einstein demonstrou,
com a sua famosa fórmula E=mC2, que apenas algumas gramas de
matéria contém a energia liberada em muitas bombas atômicas. Quando o homem
controlar esta imensa fonte energética as crises presentes serão história.
Angra 3 poderá entrar em produção apenas em 6-7 anos se tudo correr bem.
Vemos, portanto, que a nossa situação não é tão crítica assim. Se as
políticas permitirem e os investimentos necessários forem feitos o Brasil terá
energia para crescer e exportar. Pense nisso nas próximas eleições.
Autor:
Pedro Jacobi -
O Portal
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