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04/04/2025 13:27:20

Editorial: A crise energética veio para ficar?



Publicado em: 13/05/2006 18:27:00

Pedro Jacobi

 

O Brasil está enfrentando agora apenas um dos desdobramentos, previsíveis, de uma política energética mal elaborada. Por mais que Lula tenha sido pusilânime no tratamento da crise Boliviana atual ele não pode ser considerado responsável por todos os equívocos estratégicos que o Brasil fez nos últimos anos na área energética. Se olharmos com cuidado os erros estão sendo cometidos a décadas e Lula só governa a quatro anos.

Não é o momento de procurar o "pai da criança", que, aliás, são muitos. Parece-nos mais oportuno mostrar a enorme dependência que a nossa política energética nos está impondo. Falhas estratégicas gritantes como a do gás boliviano mostram claramente que um país como o nosso, com enormes recursos internos já mapeados e conhecidos, depende quase que exclusivamente de apenas um único fornecedor para o suprimento de gás natural: a Bolívia. Colocamos as nossas indústrias a mercê de um país sabidamente instável que já havia tentado a nacionalização de seus hidrocarbonetos em várias vezes no passado. Mesmo agora, quando Evo Morales, durante a campanha, anunciou ao mundo que iria estatizar o gás, o Brasil simplesmente não ouviu. Se ouviu não entendeu.

Talvez os nossos governantes acreditassem que Evo sofre de um mal comum a eles, brasileiros: o de não cumprir promessas de campanha... Erraram!

Agora cabe ao Brasil descascar este "abacaxi bolivariano" que, na melhor das hipóteses, vai afundar as finanças de um grande número de brasileiros que apostaram nas promessas feitas pelos seus representantes.

O que fazer? Temos como substituir o gás boliviano na nossa matriz energética?

Com certeza temos!

Veja abaixo o enorme potencial brasileiro  que pode, no futuro, substituir a nossa dependência energética, mas que ainda está em estado bastante incipiente:

  • Gás natural brasileiro: com a descoberta de significativas reservas de gás natural em Santos o Brasil passa a sonhar com a auto-suficiência. A Petrobras já tem uma reserva de gás natural importante, que inclui o gás da bacia de Santos juntamente com o gás dos campos da Amazônia e do Nordeste. Infelizmente gás embaixo da terra não é sinônimo de riqueza imediata. É necessário transportá-lo até o consumidor e isso requer gasodutos que ainda não foram construídos. Obras como as  do gasoduto Urucu-Manaus (440km) e Urucu-Porto Velho (440km) que custarão US$900M. As reservas de gás natural da Amazônia somam 84Bm3. Por outro lado a Petrobras planeja grandes investimentos no sudeste e até no nordeste onde deverá investir em gasodutos com a chinesa Sinopec nos trechos de Cabiúnas (RJ) a Vitória (ES)(20milhões de m3/dia) e de Vitória - Cacimbas. No todo serão necessários investimentos bilionários para viabilizar a distribuição do gás natural brasileiro, mas se forem feitos, em menos de 7 anos, estaremos substituindo com vantagem ao gás boliviano.
  • Carvão: a inabilidade brasileira em utilizar as grandes reservas de carvão de Sta. Catarina e do Rio Grande do Sul na geração de energia só pode ser atribuída a miopia contagiante que infesta Brasília. O carvão do sul é ideal para a geração de energia através de termelétricas. Temos enormes reservas de carvão sub-aflorante com baixíssimo custo de extração a espera das termelétricas que nunca chegam. Talvez os nossos governantes não saibam que é possível a construção de usinas termelétricas que não poluem o meio-ambiente. O carvão Sul Africano, com as mesmas características do nosso é fonte de eletricidade e de gasolina. Em vários lugares do mundo o carvão é também fonte de gás natural. O carvão produz, no mundo, mais de 40% da energia elétrica e mais de 70% do aço. Porque ainda estamos tão longe destes números? Será somente um caso de cegueira coletiva? Você sabia que o Brasil possui cinco vezes mais energia nas suas reservas de carvão mineral do que nas reservas de petróleo? (veja mais) Estes fatos parecem não afetar as políticas nacionais para o carvão que continua com o seu desempenho medíocre graças a investimentos medíocres como os efetuados nas últimas décadas. Contudo ainda esperamos que esta tendência irá mudar e que o nosso carvão venha a ser um componente importante na economia nacional.
  • Hidrelétricas: a palavra acabou, graças aos ambientalistas virando um palavrão, assustando a muitos políticos. Temos mais de 50 hidrelétricas em funcionamento no país. A capacidade brasileira de instalar novas hidrelétricas em um território privilegiado, é simplesmente imbatível. Paradoxalmente 24% da eletricidade brasileira vem de apenas um empreendimento, a Itaipu Binacional (Paraguai-Brasil) que produz estonteantes 14.000 MW de eletricidade. Este fato, motivo de orgulho a todos, agora passa a ser o pesadelo dos governantes. Afinal, se a moda pega, o Paraguai poderá também nacionalizar a Itaipu aí sim, colocará de joelhos a economia nacional. Somos, mais uma vez, dependentes de um único fornecedor, neste caso o Paraguai. Esta hipótese, por mais absurda que possa parecer, deve pesar na estratégia brasileira e nos planos futuros do país quanto a energia.
  • O GNL:  uma das alternativas de curto prazo para o gás boliviano é a importação do GNL: gás natural liquefeito. A falta de plantas que processem este tipo de produto é uma grande barreira às importações. O GNLé condensado em um volume muitíssimo menor do que no estado gasoso o que requer uma tecnologia própria. A Petrobras deverá estar colocando em produção a uma nova unidade de regaseificação na Ilha D'água no Rio de Janeiro, que irá processar 14 milhões de metros cúbicos adicionais à produção atual. Este empreendimento ficará pronto em 2007 e permitirá a importação de GNL de outros países reduzindo a dependência da Bolívia. Com o GNL importado o Rio passará a fornecer gás para S. Paulo via o gasoduto Japeri-Campinas.
  • Energia nuclear: assim como em muitos projetos, nesta área nós investimos mas não estamos recolhendo os frutos destes investimentos. Somente a usina nuclear de Angra 3 já recebeu quase 1 bilhão de dólares e está longe de ser finalizada. Se investirmos mais 2 bilhões de dólares Angra 3 irá produzir o equivalente a 1/3 do gás boliviano que estamos importando. Serão 1,3 mil megawatts de geração a serem colocados no grid. No entanto os governos brasileiros simplesmente optaram por abandonar este projeto às traças desde 1992. Projetos na área da energia nuclear são fundamentais para qualquer país que pense grande em termos de energia. Einstein demonstrou, com a sua famosa fórmula E=mC2, que apenas algumas gramas de matéria contém a energia liberada em muitas bombas atômicas. Quando o homem controlar esta imensa fonte energética as crises presentes serão história. Angra 3 poderá entrar em produção apenas em 6-7 anos se tudo correr bem.

Vemos, portanto, que a nossa situação não é tão crítica assim. Se as políticas permitirem e os investimentos necessários forem feitos o Brasil terá energia para crescer e exportar. Pense nisso nas próximas eleições.


Autor:   Pedro Jacobi - O Portal do Geólogo


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