Santo xisto!
Após iniciar a maior revolução energética das últimas décadas quando o gás do
xisto modernizou a indústria americana agora é a vez do óleo do mesmo xisto. A
produção americana de gás e óleo aumentou 3,2 milhões de barris equivalentes de
petróleo ao dia atingindo 12,1 milhões de barris por dia. Somente este aumento é
maior do que o consumo total do Brasil. Isso tudo aconteceu em quatro anos!
Hoje os Estados Unidos já se tornaram os maiores produtores de óleo do mundo
superando a gigantesca Arábia Saudita. É a maior expansão e o segundo maior
surto de desenvolvimento da indústria energética americana.
Tudo graças ao xisto e ao método de extração que permite essa revolução: o
fracking.
Essas notícias são extremamente importantes para a maior economia do mundo que é
a segunda maior importadora e a maior consumidora de óleo do planeta.
A notícia é, ainda mais interessante pois se trata de óleo razoavelmente barato
e competitivo que está tornando os EUA em exportadores de gasolina e
combustíveis destilados.
Somente os recursos de óleo nos xistos ou folhelhos do oeste americano são maiores do que
todos os recursos dos países árabes. A magnitude destas reservas só será
conhecida após muito investimento em prospecção e pesquisa. Mas, enquanto isso,
os Estados Unidos se fortalecem.
A importância do oil shale como os xistos betuminosos são chamados nos EUA é
simplesmente enorme. O que é muito mais expressivo é o fato de que existem
imensos recursos em vários lugares do mundo como a China, Europa, Argentina e,
naturalmente, no Brasil. Se o mundo começar a explorar esse óleo e gás dos
xistos, veremos uma gigantesca revolução energética que irá reduzir os preços do
petróleo no mundo e inviabilizar todas aquelas fontes de óleo com custos
operacionais mais elevados. Os mais conservadores calculam que temos mais de 3
trilhões de barris contidos nesses xistos. Some-se os outros 2 trilhões de
barris das areias betuminosas e veremos que o óleo será por muitas centenas de
anos a principal matriz energética deste mundo.
O que nós, brasileiros estamos fazendo com os nossos xistos betuminosos que
existem do Norte ao Sul do País? Desde 1972 a Petrobras vem investindo em
processo (Petrosix) e em uma planta piloto em S. Mateus do Sul, no Paraná. Por
décadas fomos os mais avançados nesta área mas nunca conseguimos colocar em
produção um grande projeto. Segundo os dados da Petrobras é possível a extração
desse óleo com preços competitivos em torno de $25/barril. Calcula-se que os
projetos de oil shale mundiais irão custar em torno de $30-40 por barril o que
viabilizará a maioria desses novos projetos. (veja
mais ) . Desde 2010 os custos operacionais já caíram 30% podendo cair ainda
mais com novas tecnologias.
Será que o nosso Governo não percebe a importância desta nova fonte de óleo? Até
quando as autoridades irão repetir as frases lidas em manchetes de que a
exploração do xisto polui as águas subterrâneas? Se isso fosse verdade o sistema
legal Americano estaria inundado de processos contra o fracking, pois somente
nos Estados Unidos já existem mais de 144.000 poços com injeção, e as produtoras
já teriam paralisado as suas operações no país. Mas nada disso está ocorrendo. O
uso de água no processo, que é também, um ponto usado contra a produção é
somente 0,1% da água consumida no Estado do Texas, o maior produtor de oil shale
dos EUA. No Texas 85,5% da água vai para a irrigação e agricultura.
O fato é que as mineradoras estão aperfeiçoando as suas técnicas de
exploração que a cada dia menos impacto causam às águas subterrâneas e ao meio
ambiente.
O Ministério de Minas e Energia deve
enviar URGENTEMENTE uma comitiva aos Estados Unidos, China e outros países produtores para
estudar a fundo o assunto e ver quais são as soluções modernas utilizadas na
exploração do óleo do xisto e parar de repetir o que é propagado na mídia
sensacionalista.
Será que iremos perder mais esse momento histórico e entrar no óleo e gás do
xisto quando estes forem inviabilizados por uma nova fonte energética mais
barata?