O Que é Economia Mineral?

 

por  Eduardo Vale

 

Este artigo inicia a série de contribuições a serem oferecidas sob a égide da editoria de economia mineral do site Portal do Geólogo.

Ao longo de mais de 30 anos de exercício profissional, constatei o relativo desconhecimento que a economia mineral, enquanto área de especialização, encerra para um número significativo de profissionais. Assim sendo, elegemos iniciar a série de artigos com uma aproximação, ainda que sintética, do tema.

A definição de economia mineral foi bastante analisada na literatura especializada no início dos anos 70. À época, os principais cursos de economia mineral (mestrado e doutorado) nos Estados Unidos – Colorado School of Mines, The Pennsylvania State University e Universidade de Columbia -  tinham alguns anos de existência e a fixação do conceito ainda estava em consolidação. Nos anos subsequentes, outras universidades nos Estados Unidos (Berkeley, West Virginia e Arizona), no Canadá (McGill e Queen´s), na Inglaterra (Imperial College e Leeds) e na África do Sul (Witwatersrand) implantaram iniciativas semelhantes. No Brasil o primeiro curso de economia mineral, em nível de especialização,  foi oferecido pela Fundação Getúlio Vargas em convênio com o Ministério de Minas e Energia em 1972. O programa de treinamento objetivava capacitar os técnicos do MME, assim como o treinamento de novos quadros a serem contratados. Destaque-se que essa iniciativa foi considerada auspiciosa por número expressivo de profissionais egressos do programa.

Entre os trabalhos clássicos que referenciam a conceituação de economia mineral merece registro, pelo seu pioneirismo, o artigo de David Brooks publicado nos anais da Convenção Anual de 1967 da American Society for Engineering Education: Mineral Economics as Economics”. Posteriormente, o renomado geólogo W. Keith Buck, à época diretor da Divisão de Recursos Minerais do Departamento de Energia, Minas e Recursos do governo canadense, publicou Mineral Economics – its definition and application (Mineral Bulletin. MR 127. Maio, 1972). Naturalmente, outros trabalhos exploraram o tema sendo que no Brasil o pioneirismo da abordagem coube ao Cláudio Margueron.

Sinteticamente, pode-se definir a economia mineral como a área do conhecimento responsável pela aplicação dos princípios, das metodologias e do instrumental de análise e avaliação econômica e financeira à indústria de mineração. A economia mineral principia na abordagem dos bens minerais enquanto recursos naturais e incorpora, à jusante, as vertentes da alocação do capital no longo prazo, seja sob a ótica do setor privado seja sob a ótica pública (recursos nacionais). Nesse contexto sistêmico, estariam contempladas todas as etapas e áreas de concentração críticas do setor, a saber:

·        Disponibilidade de recursos e reservas – quantidade, qualidade, localização etc;

·        Suprimento & demanda – regional, nacional e internacional;

·        Exploração, desenvolvimento, lavra, transporte e processamento;

·        Elaboração, análise & avaliação de projetos;

·        Usos e mercados – competição, substituição, reciclagem, formação de preços etc;

·        Evolução tecnológica & impacto econômico;

·        Meio ambiente & desenvolvimento sustentável;

·        Fluxos financeiros, estrutura corporativa & planejamento estratégico;

·        Política mineral – formulação, análise, arcabouço legal, tributação etc.

Por motivos óbvios, a discriminação acima é meramente introdutória. Para uma visão mais detalhada, sugere-se consultar o trabalho de Keith Buck assim como visitar os sites das instituições de ensino com programas de pós-graduação com concentração, pelo menos parcial, em economia mineral. A seguir apresenta-se alguns links selecionados: 

Ø     Colorado School of Mines / http://www.econbus.mines.edu/

Ø     Curtin University / http://www.curtin.edu.au/curtin/dept/wasm/min_econ/

Ø     Leeds University / http://www.leeds.ac.uk/mining

Ø     University of Nevada / Mackay School of Mines / http://www.mines.unr.edu

Ø     Michigan Technological University / Http://www.mg.mtu.edu

Ø     University of Witwatersrand / http://www.mining.wits.ac.za

Ø     McGill University / http://www.mcgill.ca/minmet

Ø     Queen's University / http://www.mine.queensu.ca

Ø     PennState University / http://www.ems.psu.edu/egee

 

                No Brasil, as únicas instituições que oferecem cursos com disciplinas associadas ao ensino da economia mineral são:

Ø     Departamento de Geologia e Recursos Naturais - DGRN do Instituto de Geociências da UNICAMP / http://www.ige.unicamp.br

Ø     Instituto de Geociências da UFRJ / http://www.ufrj.br

           

            Em nível de América Latina, merece destaque a iniciativa da Universidade do Chile que lançou, em abril de 2001, programa de pós-graduação em economia mineral. O curso conta com o suporte de docentes do Programa de Mestrado em Economia Mineral da Western Australian School of Mines – WASM da Curtin University.

http://www.curtin.edu.au/curtin/dept/wasm/min_econ/uchile.html

 

            Finalmente, apresentam-se os links para as principais associações de profissionais especializados em economia mineral:

¤                 Mineral Economics and Management Society – MEMS / http://www.minecon.com/

¤                 A Canadian Institute of Mining, Metallurgy and Petroleum – CIM mantém a Mineral Economics Society – MES / http://www.cim.org/mes/index.cfm

¤                 A Society for Mining, Metallurgy and Exploration - SME concentrou todos os programas e iniciativas relacionadas com a economia, os negócios e a gestão no Minerals Resource Management Committee cujo mandato é servir de elo de ligação entre as diferentes divisões da SME.

http://www.smenet.org/SCRD/SCRDInfo.cfm?CFID=341549&CFTOKEN=58620953&BUID=126

 

 

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